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Você não precisa de vontade para começar

  • Foto do escritor: Tatiana Berta Psicóloga
    Tatiana Berta Psicóloga
  • 23 de jun.
  • 2 min de leitura

Existe uma ideia bastante difundida de que a motivação vem de dentro e que, para agir, primeiro precisamos senti-la. Sob a ótica da Análise do Comportamento, essa compreensão merece alguns cuidados.


Dizer que algo está “dentro” de nós não significa que sua origem esteja dentro de nós.


Quando falamos em motivação, frequentemente nos referimos a sensações, pensamentos e estados corporais que acompanham nossas ações. Esses eventos são reais e importantes, mas não costumam ser compreendidos como causas primeiras do comportamento. Eles fazem parte de uma história de interação entre o indivíduo e o ambiente.


Se ficarmos esperando pela “vontade” ou pela “motivação” para agir, é possível que permaneçamos repetindo comportamentos habituais ou até mesmo sem agir. Muitas vezes, é justamente o contrário que acontece: não é a motivação que produz a ação; frequentemente, é a ação em contato com suas consequências que produz aquilo que chamamos de motivação.


O sentimento de responsabilidade por nossas atitudes também não é entendido como manifestação de uma entidade mental autônoma, mas como um conjunto de respostas aprendidas em contextos sociais específicos, nos quais determinadas formas de agir passam a ser valorizadas, exigidas ou reforçadas.


Quando alguém diz “estou travado”, essa fala não explica a causa do comportamento. Ela pode funcionar como uma descrição de dificuldades atuais para agir diante das demandas do ambiente, sinalizando a necessidade de identificar variáveis que estejam dificultando o avanço e de construir condições mais favoráveis para novas respostas.


Atribuir comportamentos exclusivamente à “mente” pode obscurecer a análise das condições que os produzem e mantêm. Em muitos casos, expressões desse tipo comunicam mais sobre a relação atual da pessoa com seu ambiente do que sobre uma causa interna do comportamento.


Como apontou Skinner:

“O autoconhecimento é de origem social. Só quando o mundo privado de uma pessoa se torna importante para as demais é que ele se torna importante para ela própria.” (Skinner, 1974/1993, p. 31)

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