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Seu corpo denuncia seu sofrimento

  • Foto do escritor: Tatiana Berta Psicóloga
    Tatiana Berta Psicóloga
  • 28 de mai.
  • 2 min de leitura

Nem todo sofrimento chega de forma evidente. Muitas vezes, ele não aparece como tristeza intensa, crises de choro ou um pedido claro de ajuda, que até pra quem está sofrendo fica difícil validar.


Existe um tipo de sofrimento que não grita. Ele se infiltra lentamente na forma como a pessoa vive, se relaciona e se percebe. Em alguns casos, ele vai se encaixando silenciosamente na rotina: no cansaço constante, na irritação frequente, na sensação de vazio, no excesso de autocobrança ou na dificuldade de sentir prazer nas coisas que antes faziam sentido. Mesmo assim, seguimos: trabalhando, cuidando da casa, mantendo compromissos, respondendo mensagens, resolvendo pendências e assim por diante. Mas internamente vivemos um estado contínuo de esgotamento emocional. Como se estivéssemos sempre tentando sobreviver ao próprio cotidiano.


Nem todo sofrimento paralisa. Conseguimos até reorganizar a vida inteira ao redor dele. Isso porque, absurdamente, se aprende desde cedo que demonstrar sofrimento é o mesmo que ser frágil. E quem quer ser frágil num mundo em que os fortes engolem os fracos? Assim, nos tornamos funcionais, responsáveis, disponíveis para todos, nos adaptamos enfim. Mas, a que custo? Ao longo do tempo, o custo vai sendo o afastamento de si mesmo: dos próprios desejos, limites e necessidades emocionais, que começam a se perderem de nós.


Em certos casos, o sofrimento aparece na insônia, nas dores frequentes, na tensão muscular, nas alterações alimentares, na falta de energia ou no estado permanente de alerta. Em outros, surge nos vínculos: na dificuldade em confiar, no medo de abandono, na necessidade constante de aprovação ou na sensação persistente de inadequação.


Muitas vezes, aquilo que parece "apenas" cansaço excessivo, desânimo ou irritação constante carrega histórias emocionais antigas, conflitos silenciosos e modos de funcionamento que foram sendo construídos ao longo da vida.


O sofrimento emocional nem sempre aparece de maneira visível. Mas frequentemente deixa marcas na forma como alguém habita a própria vida. Aprender a validá-lo não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidado.


 
 
 

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