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Não gosta de atender ligação telefônica?

  • Foto do escritor: Tatiana Berta Psicóloga
    Tatiana Berta Psicóloga
  • 10 de jun.
  • 2 min de leitura

Existe uma ideia bastante comum de que falar ao telefone é uma forma mais próxima, calorosa e espontânea de se comunicar. Para muitas pessoas, isso é verdade. Mas para outras, uma ligação pode ser cansativa, desconfortável ou até gerar ansiedade. E isso não significa necessariamente falta de afeto, desinteresse ou frieza.


Pesquisas na área da comunicação e da psicologia mostram que algumas pessoas experimentam o que os pesquisadores chamam de ansiedade telefônica: um desconforto relacionado a fazer ou receber ligações. Um estudo publicado em 2023 observou que essa ansiedade está associada à forma como nos comunicamos atualmente, cada vez mais mediada por mensagens digitais e menos por conversas telefônicas espontâneas. Além disso, mensagens escritas oferecem algo que as ligações não oferecem: tempo para pensar, organizar as ideias, escolher palavras e responder quando houver disponibilidade emocional. Para muitas pessoas, isso torna a comunicação mais confortável e menos desgastante.


Estudos também mostram que indivíduos com níveis mais elevados de ansiedade social tendem a preferir mensagens de texto em vez de chamadas de voz. Isso acontece porque a escrita reduz a pressão das respostas imediatas e permite maior sensação de controle durante a interação.


As preferências de comunicação também são influenciadas pela história de aprendizagem de cada pessoa. Quando as ligações telefônicas foram frequentemente associadas a cobranças, conflitos, notícias difíceis, interrupções ou demandas emocionais intensas, é natural que o indivíduo passe a evitá-las. Em contrapartida, se as mensagens escritas permitiram interações mais previsíveis, organizadas e confortáveis, a tendência é que esse formato se torne preferencial.


Por isso, quando alguém prefere conversar por mensagem, nem sempre está evitando contato. Muitas vezes, está apenas escolhendo uma forma de comunicação que lhe permite estar presente sem se sentir sobrecarregado.


Talvez a pergunta não seja “por que essa pessoa não gosta de falar ao telefone?”, mas sim: “de que forma ela consegue se comunicar de maneira mais confortável e autêntica?”.




Referências Bibliográficas:

Kim, L. T., & Oh, S. H. (2023). Predicting telephone anxiety: use of digital communication technologies, language and cultural barriers, and preference for phone calls. Communication Research Reports, 40(3), 156–168.


Reid, D. J., & Reid, F. J. M. (2007). Text or Talk? Social Anxiety, Loneliness, and Divergent Preferences for Cell Phone Use. CyberPsychology & Behavior, 10(3), 424–435.


Baddeley, A. D. (2012). Working Memory: Theories, Models, and Controversies. Annual Review of Psychology, 63, 1–29.



 
 
 

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